"O Fogo do
Reavivamento":

Os historiadores geralmente se referem ao reavivamento que começou na aldeia
de Loughor no País de Gales como o ponto inicial do reavivamento. Evan
Roberts foi o instrumento usado por Deus para inaugurar o reavivamento de
1904. Em 1891, aos treze anos de idade, Roberts começou a ter fome e sede, e
orar por duas coisas importantes: (1) para que Deus o enchesse com o Seu
Espírito, e (2) para que Deus enviasse o reavivamento ao País de Gales.
Roberts fez talvez o maior investimento no banco de oração de Deus a favor do
reavivamento que o Senhor desejava enviar. E talvez fosse essa a razão de
Deus ter começado a onda internacional de reavivamentos no País de Gales –
através de Evan Roberts.²
Evan Roberts tinha acabado de começar
a cursar o seminário quando teve uma visão na qual Deus o chamava para voltar
à sua pequena cidade e pregar para os jovens da sua igreja. Roberts já tivera
outras experiências com Deus e estava convencido que Ele estava prestes a
derramar um poderoso avivamento sobre o país de Gales. Mesmo assim, podemos
imaginar que não foi fácil para ele voltar para casa depois de apenas quinze
dias no seminário. Mas, na noite de domingo, 30 de outubro de 1904, durante o
culto, Roberts teve uma visão dos seus amigos de infância e entendia que Deus
estava falando para ele voltar para casa e evangelizar-los.²
No dia seguinte Evan Roberts reuniu
os jovens da igreja e começou a passar a sua visão para o avivamento. Ele
ensinou que o povo orasse uma oração simples: "Envia o Espírito Santo
agora, em nome de Jesus Cristo". Roberts também enfatizou quatro pontos
fundamentais para o avivamento:
•A confessão aberta de qualquer
pecado não confessado
•O abandono de qualquer ato duvidoso
•A necessidade de obedecer prontamente tudo que o Espirito Santo ordenasse
•A confessão de Cristo abertamente²

Os cultos continuavam todos os dias e
o fogo do avivamento começou a espalhar-se pela região.
Na primeira manhã daquela semana milagrosa, as pessoas se juntavam em grupos
na rua principal de Gorseinon e a pergunta principal nos seus lábios foi,
"Como você se sente agora? Você não se sente esquisito?" Nas suas
mentes estavam gravadas as cenas dos cultos do Domingo quando, em cada
capela, muitas pessoas pareciam ser subjugadas. As cenas se repetiam a cada
dia e a alegria de Evan aumentou. O Reverendo Mathry Morgan de Llanon visitou
uma noite e viu o avivalista "que quase dançava com alegria por causa de
um que estava orando fervorosamente e que estava rindo enquanto orava, por
ter ficado consciente que suas súplicas estavam prevalecendo. Mr Roberts
mostrou sinais animados de uma alegria triunfante, em concordância com ele.
Glórias a Deus por uma religião alegre."¹
Desse pequeno começo, um grande avivamento começou a varrer o norte do país
de Gales. Cultos de avivamento começaram espontaneamente, muitas vezes antes
da chegada do avivalista. A maioria dos líderes e ministros do avivamento
foram jovens e adolescentes:
Evan Roberts tinha apenas vinte e seis anos de idade quando irrompeu o
avivamento. Sua irmã, Mary, que foi uma parte tão importante da obra, tinha
dezesseis. Seu irmão Dan e o futuro marido de Mary, Sydney Evans, estavam
ambos com cerca de vinte anos. As "Irmãs Cantoras", que foram
usadas grandemente, estavam entre as idades de dezoito e vinte e dois anos.
Milhares de jovens se converteram e eram imediatamente enviados por toda a
terra testificando da glória de Deus. Criancinhas tinham suas próprias
reuniões de oração e testemunhavam ousadamente aos pecadores mais
endurecidos. As capelas ficavam superlotadas de jovens.³
O avivamento resultou na conversão de
muitos jovens, que logo se empenharam na obra de evangelização. Crianças
também foram usadas poderosamente no avivamento, ganhando muitos almas para
Jesus. Novos convertidos lideravam grandes reuniões de oração e estudos
Bíblicos.³
Durante o avivamento os cultos
continuavam quase sem parar, e a presença de Deus foi manifesta de uma forma
especial. Grandes congregações, de até milhares de pessoas, foram movidos
pelo Espírito a "cair aos pés simultaneamente para adorar em
uníssono"; às vezes a glória do Senhor brilhava dos púlpitos com uma luz
tão forte que "os evangelistas ou pastores fugiam dela para não serem
completamente arrebatados"³
Um jornalista de Londres que assistiu às reuniões ficou surpreso ao ver como
os cultos prosseguiam quase sem liderança ou orientação humana. Hinos,
leitura da Palavra, oração, testemunhos dos convertidos e breves exortações
por várias pessoas sucediam-se segundo o Espírito guiava. Os grandes hinos da
igreja eram cantados durante três quartos da reunião; a ordem reinava, embora
mil ou duas mil pessoas estivessem presentes. Se alguém se demorava muito na
exortação, outra pessoa começava um hino.
Evan Roberts insistia continuamente: "Obedeçam ao Espírito", e o
Espírito mantinha a reunião pacífica e ordeira.²
O Reverendo R B Jones descreveu um
culto, onde ele pregou a mensagem da salvação:
"Como um só homem, primeiro com um suspiro de alívio e depois com um
grito de alegria delirante, toda a audiência ficou de pé... Todo recinto
naquele momento parecia terrível com a glória de Deus – usamos a palavra
'terrível' deliberadamente; a presença santa de Deus era tão manifesta que o
próprio orador sentiu-se dominado por ela; o púlpito onde se encontrava
estava tão cheio com a luz de Deus que ele teve de retirar-se!"2
Os efeitos do avivamento estenderam-se muito além dos cultos e reuniões de
oração. Os bares e cinemas fecharam, as livrarias evangélicas venderam todos
os seus estoques de Bíblias. O avivamento tornou-se manchete nos principais
jornais do país. A presença de Deus "parecia ser universal e
inevitável", invadindo não somente as igrejas e reuniões de oração, mas se
manifestando também "nas ruas, nos trens, nos lares e nas tavernas"
².
"Em muitos casos, os fregueses
entravam nas tavernas, pediam bebidas e depois davam meia-volta e saíam,
deixando-as intocadas no balcão. O sentimento da presença de Deus era tal que
praticamente paralisava o braço que ia levar o copo à boca."²
Evan Roberts trabalhou sem parar no avivamento. Ele não queria que as pessoas
olhassem para ele, e muitas vezes ficava calado durante os cultos, preferindo
que o Espírito Santo os dirigisse. Ele raramente falava com os jornalistas
que vinham para escrever sobre o avivamento, e não permitia que tirassem
fotografias dele.
Infelizmente, Evan, o "catalisador principal" do avivamento, não
cuidou da sua própria saúde, tirando o tempo necessário para descansar. Ele
começou a se sentir fisicamente exausto, vindo finalmente a ter um colapso, e
em abril de 1906 retirou-se para a casa do Sr. e Sra. Penn-Lewis na
Inglaterra. Evan nunca mais exerceu seu ministério de avivalista, e sem sua
liderança, o avivamento logo se apagou.
Rick Joyner, no seu livro "O Mundo em Chamas", fala sobre o papel
da Sra Jessie Penn-Lewis na vida do avivalista:
Parece provável que Jessie Penn-lewis tenha exercido uma parte significativa
em levar o grande Avivamento do País de Gales a um fim prematuro, embora ela
parecesse ter a melhor das intenções. Os relatos foram de que ela convenceu
Evan Roberts a retirar-se do avivamento, porque achava que ele estava
recebendo muita atenção, a qual deveria ir apenas para o Senhor...
Seria desonesto incriminar Jessie Penn-Lewis como a única mão que interrompeu
o Avivamento Galês, embora muitos amigos e colaboradores de Evan Roberts
tenham feito exatamente essa acusação. Evan Roberts deixou a obra e foi viver
na casa de Penn-Lewis, onde ele se tornou efetivamente um eremita espiritual,
nunca mais usado no ministério...
Depois de sair da liderança do
avivamento, com sua saude bastante enfraquecida, Evan Roberts viveu uma vida
de intercessão, escrevendo matérias para revistas evangélicas, e recebendo
visitas.
O avivamento no país de Gales durou apenas nove meses, porém neste tempo
marcou o mundo. Os frutos, os resultados do avivamento, foram bons: uma
pesquisa feita seis anos depois do avivamento descobriu que 80% dos
convertidos continuavam sendo membros das mesmas igrejas onde tiveram se
convertido. Porém, isso não significa que os outro 20% tivessem se desviado,
porque muitos se mudaram para missões independentes ou novas denominações.2
Temos mais informações sobre o avivamento de Gales, incluíndo citações do
Evan Roberts, em nossa comunidade online. Na área de download deste site,
temos uma pequena gravação do Evan Roberts.
Bibliografia:
1. An Instrument of Revival: The
Complete Life of Evan Roberts, 1878-1951, por Brynmor Pierce Jones.
2. O Fogo do Reavivamento, por Wesley L. Duewel.
3. O Mundo em Chamas, por Rick Joyner.
4. ''God's Generals', por Roberts Liardon.
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